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Estudante de medicina em SP, indígena de MT realiza palestras em aldeias para combater 'Fake News'

28/02/2021 - 14:07 | Atualizada em 28/02/2021 - 14:13

Da Redação

“Eu quero ajudar o meu povo para que não sejam mais manipulados pelas fakes news”, disse o primeiro estudante de medicina da etnia Matipu, Dyakalo Foratu Matipu, na aldeia Buritizal no Altos do Xingú em Mato Grosso. O rapaz está realizando palestras para ajudar seu povo com intuito de combater que as notícias falsas sobre a pandemia, pois até pouco tempo atrás seus familiares comunitários acreditavam que a vacina contra covid-19 os tornariam jacarés.
 
 

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Com sonho de ajudar seu povo e sua etnia com informações técnicas e científicas relacionadas às saúde, o primeiro colocado no vestibular cursado em 2019, na aldeia Kuikuro (MT), Farato, como é conhecido, agora está no terceiro semestre de medicina na Universidade Brasil, em Fernandópolis no estado de São Paulo. À época, eram seis vagas para medicina, cinco para odontologia e duas para medicina veterinária.

“Eu quero ajudar o meu povo para que não sejam mais manipulados pelas fakes News. Eu sei como funciona a medicina e a ciência, portanto posso explicar na linguagem materna (dialeto indígena), como é a produção da vacina e a importância da imunização”, relatou Farato ao desmentir falsas notícias sobre a real situação de seu povo que, até então, não recebeu as doses da vacina previstas pelas campanhas de imunização no estado e seguem amedrontados com o avanço da pandemia e com as distorções sobre as consequências de se aplicar os imunizantes.

“Falaram para o meu povo que quem foi infectado pelo Coronavírus não precisa tomar a vacina. Que o povo indígena está sendo feito de cobaia. Teve aldeias que já receberam as doses e os caciques proibiram a comunidade de fazer a vacinação. Eles têm medo de tomar a vacina e virar jacaré. Eu queria fazer palestra em cada aldeia, porém, não tenho como me locomover para outros lugares”. Explicou o médico em formação, justificando suas intenções e objetivos para a realização de palestras que possam levar informações reais sobre a situação da pandemia e das vacinas ao seu povo.

Farato tem o sonho de levar a informação científica e a medicina para todas as aldeias da sua região, porém, sem estrutura para locomoção, seus objetivos ficaram limitados à Aldeia Nova Matipu.

De acordo com Farato, entre as 119 pessoas que moram na tribo aproximadamente 40 já foram contaminadas, porém, não foram registrados óbitos.

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