Segunda-feira, 12 de abril de 2021
informe o texto

Notícias | Polêmicas

Católicos ultraconservadores sabotam Campanha da Fraternidade 2021

15/02/2021 - 10:16 | Atualizada em 15/02/2021 - 10:35

Raphael Veleda Metrópolis

Após deixar de ser realizada no ano passado, por causa das restrições impostas pela pandemia de coronavírus, a Campanha da Fraternidade de 2021 começa sob ataques nas redes e ações de boicote. A cruzada é promovida por grupos católicos ultraconservadores, que se revoltaram com o protesto da iniciativa religiosa contra a violência sofrida pela população LGBTQI+.

Com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, a tradicional iniciativa que pede doações de fiéis para financiar projetos sociais apoiados pela Igreja Católica virou alvo de religiosos fundamentalistas nas redes sociais. Um dos motivos é a busca da inclusão, nesse diálogo, das minorias e a violência direcionada a esses grupos.

Os ataques nas redes são ferozes e acusam líderes religiosos de terem aderido a “pautas abortistas e anticristãs”. Com vídeos no YouTube e hashtags no Twitter e no Instagram, esses grupos tentam incentivar os cristãos a não doar nenhum dinheiro para a Campanha da Fraternidade.


Tradição católica desde a década de 1960, a campanha é promovida anualmente no período da quaresma, terminando no Domingo de Ramos, e tem sido realizada em versão ecumênica (convidando outras igrejas cristãs) a cada cinco anos, desde 2000.

Nesses anos específicos, como é o caso de 2021, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divide a organização da campanha com o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), do qual representantes católicos também são integrantes.

 

A pastora luterana Romi Bencke, secretária-executiva do Conic, é um dos principais alvos do discurso de ódio. As investidas que ela sofreu motivaram mais de 200 entidades da sociedade civil a protestar e se solidarizar.

Em carta, a Aliança de Batistas do Brasil repudiou a campanha de ódio e afirmou que os ataques estão sendo direcionados com mais força a lideranças femininas, “além do cunho antiecumênico são carregados de misoginia indisfarçável”.

“Nos vemos perplexos com os ataques que a CFE 2021 (Campanha da Fraternidade Ecumênica) vem sofrendo por parte de setores que buscam, entendemos, usurpar o nome da Igreja Católica Apostólica Romana, que conosco compõe este Conselho, para ataques infundados, injustos e até mesmo criminosos”, diz a carta da Aliança de Batistas.

O problema

 

Os ultraconservadores se revoltaram contra o documento que explica as motivações da Campanha da Fraternidade de 2021, principalmente em relação ao parágrafo que faz a seguinte afirmação: “Outro grupo que sofre as consequências da política estruturada e da criação de inimigos é a população LGBTQI+”.

O documento traz dados do Atlas da Violência e da ONG Grupo Gay da Bahia para denunciar que 420 pessoas desse grupo foram assassinadas em 2018, e argumenta que “esses homicídios são efeitos do discurso de ódio, do fundamentalismo religioso, de vozes contra o reconhecimento dos direitos das populações LGBTQI+ e de outros grupos perseguidos e vulneráveis”.

Para os religiosos mais extremistas, sobra militância e falta religião no documento.


 

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 

Contato

(66) 98452-5192

+44 7915 428861

Confresa - MT 78652-000

Newsletter

Sitevip Internet